Alta do IPTU em Teresina preocupa comércio e levanta críticas ao modelo adotado
Entidades apontam impacto na economia e cobram revisão de valores considerados distantes da realidadeO aumento do IPTU em 2026 em Teresina tem gerado reação entre representantes do comércio, que veem na medida um fator de pressão sobre empresas e um possível freio à atividade econômica na capital.
A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e o Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado do Piauí (Sindilojas) manifestaram preocupação com o reajuste, destacando que a elevação do imposto pode comprometer o funcionamento de negócios, a geração de empregos e o ambiente de empreendedorismo.
Segundo as entidades, a base de cálculo utilizada para definir o valor venal dos imóveis foi elaborada ainda na gestão anterior, sem considerar aspectos importantes como a depreciação dos imóveis, mudanças no perfil de áreas comerciais e o cenário econômico atual.
Na prática, o resultado tem sido a cobrança de valores que, para o setor, não dialogam com a realidade do mercado. Um detalhe que chama atenção é que o imposto incide sobre o patrimônio e não sobre a renda — o que, em tempos de atividade econômica oscilante, pesa ainda mais no bolso de quem empreende.
As entidades apontam que o impacto já é perceptível, principalmente em regiões centrais da cidade, onde há redução de atividades comerciais. O receio é de que o aumento acelere o fechamento de empresas, dificulte a abertura de novos negócios e até estimule a migração para o comércio digital ou para outras localidades.
Outro dado que reforça o alerta é o índice de inadimplência, que se aproxima de 30%. Para o setor, isso indica que uma parcela significativa dos contribuintes já enfrenta dificuldades para arcar com o imposto — o que levanta dúvidas sobre a efetividade do modelo adotado.
Diante desse cenário, CDL e Sindilojas defendem a realização de um estudo técnico mais amplo, que considere as particularidades de cada região da cidade e permita uma revisão mais equilibrada dos valores cobrados.
Enquanto isso, fica a impressão de que, para parte do setor produtivo, a conta chegou antes mesmo de o ambiente econômico melhorar — e sem muito espaço para negociação.
As entidades reforçam a necessidade de medidas que fortaleçam o ambiente de negócios, com mais segurança jurídica, simplificação e racionalidade fiscal, como caminho para estimular o desenvolvimento econômico de Teresina.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
