Lula sanciona isenção do IR e reforça justiça tributária em cerimônia esvaziada por Motta e Alcolumbre
Enquanto governo entrega alívio para milhões, ausências de líderes do Congresso revelam desconforto com avanço sobre super-ricosO presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou nesta quarta-feira (26) a tão aguardada isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil. A cerimônia, realizada no Palácio do Planalto, reuniu ministros, parlamentares e centrais sindicais — exceto, curiosamente, os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, que aparentemente preferiram assistir de longe ao avanço de uma agenda que corrige distorções históricas e cobra mais de quem sempre pagou menos: os super-ricos.
A medida, que também prevê desconto para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350, representa uma das principais bandeiras do governo na construção de um sistema tributário mais justo. Segundo o Ministério da Fazenda, cerca de 15 milhões de brasileiros deixarão de pagar imposto. A compensação virá de uma cobrança mínima sobre rendas muito elevadas — justamente o ponto que parece desagradar parte da elite política e econômica.
A ausência de Motta e Alcolumbre, ainda que discretamente relativizada pelo governo, não passou despercebida. Em meio às negociações tensas do Congresso, o gesto reforça o incômodo de líderes que viram o Planalto avançar sobre temas sensíveis, como tributação de altos rendimentos e a indicação de Jorge Messias ao STF — movimento que frustrou expectativas pessoais e rearranjos internos.
No palco, Lula enfatizou a lógica simples que orienta o projeto: quem ganha pouco deve pagar pouco, quem ganha muito deve contribuir mais. O presidente ironizou privilégios e destacou que a mudança aproxima o Brasil de práticas adotadas em democracias maduras. Sindicalistas responderam em coro, embalando o Planalto com gritos de apoio.
Parlamentares da base, do centrão e até da oposição já haviam aprovado o texto com ampla margem, sinalizando a popularidade da proposta entre aqueles que enfrentam o eleitorado. O próprio ministro Fernando Haddad fez questão de agradecer nominalmente a todos — presentes e ausentes — antes de reforçar que o país precisa “colocar ordem” na tributação da renda.
Enquanto isso, especialistas destacam que o benefício deve gerar alívio imediato no bolso do trabalhador, que poderá usar o valor para dívidas, reserva ou investimentos. Quem recebe R$ 5 mil, por exemplo, economizará mais de R$ 3.700 ao ano.
Com a sanção, Lula entrega uma de suas promessas mais simbólicas, enfrenta resistências de figuras influentes do Legislativo e reforça o debate sobre justiça fiscal — ainda que alguns preferissem que esse debate acontecesse bem longe dos holofotes.
Fonte: Revista40graus ,colaboradores, Planalto e mídias
