Pedro Bial declama poesia piauiense e Barra Grande vira cenário de encontro entre arte, café e afeto
Visita do jornalista à artesã Nêda Lopes transforma o litoral do Piauí em vitrine nacional de cultura, talento e bom humorO litoral do Piauí segue fazendo o que sabe melhor: encantando visitantes ilustres sem esforço algum. Durante uma recente passagem por Barra Grande, o jornalista Pedro Bial não apenas conheceu a arte da artesã e poeta piauiense Nêda Lopes, como também levou um pedaço do Piauí na voz. O resultado foi a declamação da poesia “Acordei velho”, escrita por Nêda, divulgada pela própria artista nesta quarta-feira (24).
No áudio enviado à artesã, Bial não economizou elogios — e nem precisava. “Além desse sorriso, dessa arte linda, essa mulher ainda é poeta”, disse o jornalista, confirmando aquilo que o Piauí já sabe faz tempo: talento aqui nasce junto com o vento do litoral.
Ao compartilhar o momento nas redes sociais, Nêda respondeu à altura, com humor e orgulho. Brincou que as pessoas estavam em dúvida se preferiam tomar café com ela ou conversar com Bial — e que o próprio jornalista resolveu o impasse: “o melhor é café com a Leda”. Resultado: dia ganho, tarde garantida e mais um capítulo simpático na história cultural do estado.
Conhecida pelas bonecas artesanais de pano que carregam identidade regional, estética popular e valorização da cultura nordestina, Nêda Lopes também se destaca na poesia. E não é de hoje que seu ateliê vira ponto turístico afetivo: outros artistas nacionais já passaram por lá, atraídos pelo que o Piauí oferece de melhor — autenticidade, criatividade e acolhimento.
Enquanto alguns ainda descobrem Barra Grande no mapa, o Piauí segue fazendo escola: recebe bem, inspira melhor ainda e, de quebra, vira poesia na voz de Pedro Bial. Turismo cultural assim nem precisa de propaganda — ele simplesmente acontece.
Acordei velho
Não foi o tempo fora de mim que passou, por fora tenho a mesma idade.
Será se mudamos assim de um dia pra outro, de jovens sagazes a velhos saudosos?
Acordei cedo demais para a velhice que sonhava.
Pra ver o dia nascer, ver a tardinha vir lentamente me buscar pra dormir um sono bem cedo.
Balançar numa rede, cochilar numa cadeira de balanço.
Não estou com os dias contados nem nada disso.
Vou chegar lá um dia, quem sabe.
Talvez fique bem velhinho.
Talvez viva todas as coisas que hoje anseio.
Mas era para hoje essa velhice, era agora.
Porque hoje acordei velho.
Fonte: Revista40graus, Redes Sociais e colaboradores
