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Quando o lixo vira ouro — e o crime agradece

Enquanto a Europa tenta ficar mais verde, quadrilhas fazem fortuna explorando brechas legais e produzindo um rastro tóxico

O tráfico de lixo se transformou em um negócio bilionário para redes criminosas na Europa — uma ironia amarga para um continente que tenta liderar a transição ambiental global. Quadrilhas encontraram no descarte irregular de resíduos um filão tão lucrativo quanto pouco arriscado, aproveitando lacunas legais, brechas de fiscalização e contratos frágeis.

Foto: Justin Tallis - 16.nov.25/AFPPilha de lixo ilegal perto de Kidlington, Oxfordshire, na Inglaterra
Pilha de lixo ilegal perto de Kidlington, Oxfordshire, na Inglaterra

A Europol já alertou que o crime só cresce: mais sofisticado, mais lucrativo e, claro, sempre um passo adiante da burocracia. Os grupos falsificam documentos, cruzam fronteiras como quem faz compras no fim de semana e se infiltram em empresas legais para dar aparência de normalidade ao negócio sujo.
Afinal, por que investir em drogas, armas ou corrupção pesada se despejar lixo custa menos, rende bilhões e ainda passa quase despercebido?

A descoberta recente de uma montanha de seis metros de resíduos camuflada perto do rio Tâmisa, na Inglaterra, revelou o tamanho do problema. Restos de escolas e órgãos públicos estavam misturados na pilha — um lembrete de que nem a administração pública está imune à tentação do “jeitinho” ambiental europeu.

Especialistas estimam que 15% a 30% de todo o transporte de resíduos na Europa seja ilegal. Um mercado clandestino que pode chegar a 9,5 bilhões de euros por ano — prova de que, quando a lei não aperta, o crime não perde tempo.

A União Europeia até tem regras rigorosas e sistemas de controle, mas a aplicação depende de uma cadeia complexa de órgãos nacionais e internacionais. E cada Estado-membro, como a Romênia, enfrenta sua própria versão do caos ambiental: incêndios causados por materiais queimados ilegalmente, áreas contaminadas e monitoramento insuficiente. Não é a legislação que falta — é a capacidade de fazer com que ela valha.

Para completar, as redes criminosas se especializaram em operar dentro de empresas legais, misturando resíduos perigosos com materiais recicláveis e dando aparência de “economia circular”. Enquanto isso, resíduos tóxicos acabam enterrados, queimados ou enviados a regiões vulneráveis da Ásia, África e América Latina — porque, para certos criminosos, o planeta inteiro virou depósito.

A ironia final?
Quanto mais a Europa tenta se tornar verde, mais lucrativo fica explorar exatamente essa transição. Um lembrete desconfortável de que o meio ambiente sempre cobra a conta, mas os criminosos, se não forem incomodados, continuam apenas somando lucros — e deixando o resto do mundo com o prejuízo.

Fonte: Revista40graus, colaboradores, outras mídias e Matt Pearson

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