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Trump entra no debate brasileiro e bolsonaristas comemoram pressão externa sobre o país

Classificação de PCC e CV pelos EUA reacende debate sobre soberania e interferência estrangeira
Redação

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A decisão, divulgada pelo Departamento de Estado norte-americano, ocorre poucos dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro aos EUA e reacende o debate sobre soberania nacional e interferência estrangeira em temas internos do Brasil.

A medida foi comemorada por Flávio Bolsonaro, que se reuniu com o presidente Donald Trump, o secretário Marco Rubio e outras autoridades americanas. O senador afirmou nas redes sociais que este seria um “grande dia”, enquanto aliados bolsonaristas trataram a decisão como uma vitória política.

Foto: Rafaela AraújoMuro de casa localizada na comunidade de Mandacaru em Jequié, no estado da Bahia, pichado com símbolo de facção criminosa
Muro de casa localizada na comunidade de Mandacaru em Jequié, no estado da Bahia, pichado com símbolo de facção criminosa

Nos bastidores, porém, cresce a percepção de que o episódio reforça mais uma vez a postura de alinhamento automático de setores do bolsonarismo ao governo norte-americano, mesmo em temas sensíveis à autonomia brasileira. Afinal, segurança pública é atribuição do Estado brasileiro, conduzida por suas instituições, suas leis e sua Constituição.

O próprio governo federal vinha tentando evitar essa classificação por receio de abrir precedentes para pressões e possíveis interferências externas em assuntos internos do país. O entendimento de integrantes do Planalto é que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação internacional entre Estados soberanos, e não por imposições políticas de governos estrangeiros.

A decisão também ocorre em meio ao desgaste político enfrentado por Flávio Bolsonaro no chamado caso “Dark Horse”, envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Para críticos, a agenda internacional do senador acabou funcionando como uma espécie de cortina de fumaça em meio à crise de credibilidade que atinge sua pré-candidatura.

Outro ponto que chama atenção é o fato de Donald Trump enfrentar atualmente desgaste político e econômico nos próprios Estados Unidos. O republicano convive com críticas relacionadas à inflação, aumento do custo de vida e sucessivas acusações de interferência em assuntos internos de outros países. Ainda assim, setores do bolsonarismo seguem tratando o ex-presidente americano como uma espécie de tutor político internacional.

Enquanto isso, especialistas em segurança pública lembram que PCC e CV são organizações criminosas ligadas ao narcotráfico, lavagem de dinheiro e disputas territoriais, mas que a legislação brasileira possui definição própria para terrorismo, vinculada a motivações ideológicas, religiosas ou discriminatórias.

A classificação feita pelos EUA, portanto, amplia tensões diplomáticas e políticas justamente em um momento em que o Brasil tenta reforçar sua posição de independência institucional e defesa da soberania nacional.

Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores

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