Flávio Bolsonaro e a Arte de Transformar Uma Vigília em Mandado de Prisão
Entenda o que aconteceu para emissão de mandado de prisão preventiva do ex-presidente Jair BolsonaroA prisão preventiva de Jair Bolsonaro na madrugada deste sábado (22) teve um ingrediente especial: a criatividade jurídica involuntária de Flávio Bolsonaro. Segundo informações da própria polícia, a decisão de antecipar a prisão ocorreu porque o senador, sempre disposto a “ajudar”, resolveu convocar uma vigília em frente ao condomínio do pai — perfeita para transformar a porta de casa em uma barreira humana contra a Justiça.
O STF avaliou que, se já é difícil cumprir ordens judiciais em silêncio, imagina com centenas de seguidores empolgados, orando, gravando stories e “lutando pelo país” entre uma bandeira e outra. Para evitar que a aglomeração criasse uma espécie de campo de força patriótico impedindo o cumprimento da pena no futuro, a prisão preventiva foi decretada para garantir a ordem pública, como manda o manual.
Enquanto isso, Flávio, em sua melhor performance motivacional, convocava apoiadores nas redes sociais para enfrentar a “injustiça”:
— “Você vai lutar pelo seu país ou assistir tudo do celular?”
Parece que a resposta da Justiça foi: “Vamos assistir tudo da PF mesmo.”
O ex-presidente, condenado a 27 anos e três meses por liderar a tentativa de golpe de Estado, foi levado para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Não é ainda o cumprimento da pena definitiva — isso depende dos recursos finais —, mas ficou claro que a vigília de Flávio teve mais efeito jurídico do que espiritual.
No fim das contas, Bolsonaro foi preso para evitar tumulto, e o tumulto nasceu justamente da convocação de Flávio. Ironias do destino… ou apenas mais um capítulo em que o filho chama o povo; a Justiça responde; e o pai, bom, vai de comboio para a PF antes da primeira vela ser acesa na tal vigília.
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Fonte: Revista40graus, colaboradores, STF e Redes Sociais
