PL em “missão de resgate”: família Bolsonaro tenta transformar a prisão em pauta legislativa urgente
Flávio Bolsonaro, em seu papel de porta-voz do clã, anunciou a “prioridade número 1” da oposição; veja qual é e avalieNum movimento que já virou quase um ritual familiar, o PL — ao lado de Michelle, Carlos, Jair Renan e Flávio Bolsonaro — decidiu que a prioridade nacional, acima de qualquer outro assunto do Congresso, é uma velha conhecida: anistia para os envolvidos no 8 de Janeiro. A reunião desta segunda-feira (24) reuniu praticamente o “núcleo duro” da família Bolsonaro, como se o país estivesse aguardando ansiosamente a salvação legislativa dos condenados pelos atos golpistas — e, agora, pela situação do próprio ex-presidente.
Flávio Bolsonaro, em seu papel de porta-voz do clã, anunciou que a “prioridade número 1” da oposição será empurrar o projeto de anistia pela Câmara. Sem meias palavras, deixou claro que não quer conversa sobre dosimetria das penas: para o senador, isso é detalhe, quase um capricho. O importante, segundo ele, é que “vença quem tiver mais votos” — uma curiosa defesa da democracia feita por alguém que tenta perdoar um ataque à própria democracia.
Enquanto isso, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, tenta convencer os presidentes do Congresso de que discutir anistia agora é sinal de “amadurecimento”. O momento escolhido, no entanto — logo após a prisão preventiva de Bolsonaro — tem mais cara de desespero político que de reflexão institucional.
A situação, porém, não anda fácil nem para o PL nem para os bolsonaristas mais fiéis. O vídeo em que Bolsonaro aparece admitindo ter usado “ferro quente” para tentar violar a tornozeleira eletrônica caiu como uma bigorna dentro do centrão. A cada nova revelação, a palavra “anistia” parece politicamente mais tóxica.
Mesmo assim, o PL avança. Em meio à crise, discutiram também rejeitar Jorge Messias ao STF — como de praxe — e especular os cenários para 2026. Flávio tratou de afastar qualquer insinuação de que seria candidato à Presidência. Disse que não é a hora, que seu nome “não está na mesa”. Tudo para reforçar que o centro gravitacional do partido continua sendo Bolsonaro — preso, sim, mas ainda tratado como sol político da legenda.
Enquanto isso, a Polícia Federal mantém o ex-presidente detido em Brasília, após considerar que a vigília convocada por Flávio poderia atrapalhar a ordem pública e até o cumprimento de futuras decisões judiciais. Ironicamente, a tentativa de “proteger” Bolsonaro acabou sendo um dos elementos que reforçaram a necessidade da prisão preventiva.
No fim, o PL tenta vender a ideia de que luta pela democracia. Mas a movimentação parece menos defesa institucional e mais um esforço para blindar aliados, corrigir erros do passado e, claro, tentar reescrever a história — agora no ritmo acelerado imposto pela Justiça.
Fonte: Revista40graus, colaboradores, redes sociais e comentários especializados
