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Toffoli deixa caso do Banco Master após consenso “unânime e prudente” no STF

Ministros rejeitam suspeição, validam atos e, em seguida, veem relator optar por sair
Redação

O ministro Dias Toffoli deixará a relatoria do processo que apura supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. A decisão foi tomada por unanimidade pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), após reuniões descritas como tensas nesta quinta-feira (12).

Para que o consenso fosse alcançado, o plenário primeiro rejeitou a arguição de suspeição contra o magistrado e declarou legítimos todos os atos por ele praticados no processo. Superada formalmente a desconfiança, veio o gesto político: Toffoli anunciou que deixará a relatoria, diante do desgaste institucional que o caso vinha provocando.

Foto: ReproduçãoDias Toffoli
Dias Toffoli

A situação ganhou novos contornos após a Polícia Federal entregar à presidência do STF relatório com troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e seu cunhado Fabiano Zettel. Nos diálogos, os dois discutem pagamentos à empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio.

Zettel, casado com Natália Vorcaro, chegou a ser detido pela PF e, segundo as investigações, atuava como uma espécie de gestor financeiro do cunhado. As mensagens citam o nome do ministro ao tratar de transferências relacionadas à compra de um resort que tinha a Maridt como sócia. Há referência a pagamentos realizados em 2025, ano da conclusão do negócio.

Inicialmente, Toffoli comunicou aos colegas que não se considerava suspeito e que desejava permanecer na relatoria. Ainda assim, diante da pressão interna e do impacto público do episódio, optou por deixar o caso — numa solução que, oficialmente, preserva a legalidade dos atos e, politicamente, tenta preservar a Corte.

Em nota, o ministro confirmou que integra o quadro societário da Maridt e que a empresa participou do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. Informou também que a venda de cotas ao fundo Arleen — ligado ao grupo de Vorcaro — foi formalizada em 27 de setembro de 2021, período em que recebia dividendos da empresa.

Toffoli afirmou não conhecer o gestor do fundo Arleen e declarou que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima” com Daniel Vorcaro. Acrescentou ainda que nunca recebeu valores do banqueiro ou de Fabiano Zettel.

Com a relatoria a ser redistribuída, o processo segue seu curso regular. E o STF, ao menos por ora, fecha o capítulo com a combinação de dois princípios caros à instituição: legalidade confirmada e prudência estratégica.

Fonte: Revista40graus, STF e colaboradores

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