Polícia desmonta “heróis do volante” e pede leilão dos carros de luxo usados em rachas
Operação Need For Speed expõe glamour farsante dos racheiros e reforça ação firme da Justiça contra infratoresA Polícia Civil detalhou a Operação Need For Speed, deflagrada na quinta-feira (27), que deixou claro que, por trás da fantasia de “pilotos de elite”, alguns endinheirados achavam que Teresina era pista particular para seus carros de luxo. A prática ilegal, monitorada desde abril, reunia adultos, adolescentes e até crianças — tudo com velocidade, álcool e a ilusão de impunidade.
Segundo o delegado Mateus Zanatta, o grupo escolhia a Avenida Raul Lopes, às quartas-feiras, para transformar a via em autódromo improvisado. Enquanto cidadãos comuns caminhavam e faziam exercícios, os “corajosos” competidores arrancavam placas dos veículos para fugir dos radares e exibiam nas redes sociais toda a performance criminosa — afinal, nada como deixar provas disponíveis para a polícia.
Os riscos não eram apenas teóricos: um dos acidentes, em 2 de agosto, envolveu colisões na Avenida João XXIII. E, apesar da audácia dos infratores, a Polícia Civil já acompanhava tudo, à espera do momento certo para desmontar o espetáculo.
A operação cumpriu 28 mandados, alcançando 26 investigados. As medidas cautelares incluíram apreensão dos veículos, recolhimento domiciliar, suspensão da CNH, tornozeleira eletrônica e até proibição de postar “conteúdos automobilísticos” — duro golpe no ego digital dos envolvidos.
A apreensão rendeu 19 armas, 2.700 munições e flagrantes por porte ilegal. Dos carros de luxo, 17 já tiveram alienação antecipada solicitada. A polícia quer vê-los no leilão, convertendo vaidade em políticas públicas — um fim bem mais útil do que acelerar em via pública.
Os investigados podem responder por direção perigosa, perturbação do sossego, racha ilegal, adulteração veicular, corrupção de menores e associação criminosa. Nada que combine com a imagem de “pilotos profissionais” que tentavam sustentar.
Entre os alvos estão um empresário — dono de 15 armas e 2.700 munições — e um vereador de Hugo Napoleão, preso por porte ilegal. O empresário, além das armas irregulares, ainda “cedia” o carro ao filho de 16 anos para participar dos rachas. Um retrato perfeito de como responsabilidade familiar não funciona.
O vereador, por sua vez, sustentava ter uma arma registrada em outra cidade, mas resolveu passear com ela por Teresina, violando regras básicas de posse. A fiança foi de R$ 30 mil — valor que, ao que tudo indica, não estava previsto no “orçamento da aventura”.
Com a operação, a polícia reafirma o óbvio: quem transforma a cidade em pista de corrida vai acabar conhecendo outro tipo de circuito — o da Justiça, onde o único acelerador disponível é o das consequências.
Veja também: Operação dá bandeirada final nos “rachas” de luxo e reafirma força da segurança pública no Piauí
Fonte: Revista40graus, SSP-PI e colaboradores
