Sem “palavras mágicas”, mas com provas: PF mantém caso Tatiana intacto
Laudo pedido pela defesa não reabre investigação sobre compra de votos, afirma corporaçãoA Polícia Federal deixou claro que o recente laudo complementar sobre o celular da vereadora Tatiana Medeiros não muda absolutamente nada no rumo da investigação. O inquérito já foi concluído, relatado e encaminhado ao Judiciário. O documento, segundo a corporação, apenas respondeu a quesitos técnicos apresentados pela própria defesa.
A estratégia dos advogados foi questionar trechos do laudo da Operação Escudo Eleitoral, alegando que o perito teria extrapolado os limites fixados pelo juiz ao incluir interpretações. A PF rebateu afirmando que o trabalho se restringiu exatamente ao que foi solicitado: verificar se existiam expressões literais específicas nas conversas extraídas dos aparelhos telefônicos.
E aí está o ponto central. Para a Polícia Federal, a investigação nunca dependeu de “palavras mágicas” ou ordens explícitas digitadas de forma direta. A apuração foi construída com base em análise contextual e integrada de provas, incluindo cruzamentos financeiros, movimentações bancárias atípicas, apreensão de documentos, análise de mídias digitais, depoimentos e correlação entre eventos financeiros e o período eleitoral.
Ou seja, a ausência de uma frase textual determinando compra de votos não invalida um conjunto probatório que, segundo a corporação, é mais amplo e consistente.
Um dos trechos mais debatidos envolve a suposta inexistência de diálogo explícito determinando compra de votos em 2024. O perito confirmou que não há menção literal. Porém, também apontou conversas acompanhadas de transferências via PIX no dia da eleição, além de comprovantes de votação e planilhas com nomes de eleitores. Detalhes que, para a PF, falam por si dentro do contexto analisado.
A defesa também questiona a afirmação de que o laudo estaria em conformidade com informações da Polícia Judiciária, sustentando que tal avaliação caberia exclusivamente ao juízo. Por isso, pediu a intimação do perito para elaboração de novo documento, limitado a respostas objetivas e sem interpretações.
Em nota, a Polícia Federal reiterou que todas as conclusões estão fundamentadas exclusivamente no inquérito já encerrado e encaminhado às instâncias competentes. Reafirmou ainda seu compromisso com a legalidade, a técnica investigativa e a imparcialidade.
O caso tramita no Tribunal Regional Eleitoral do Piauí, em razão do mandato eletivo da parlamentar. A investigação apura a suposta atuação de organização criminosa na campanha eleitoral, além da possível prática de compra de votos.
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Fonte: Revista40graus, Polícia Federal e colaboradores
