ALCOLUMBRE E A ARTE DE “MOSTRAR MATURIDADE”… SÓ QUE NÃO
Quando contrariar vira gatilho e pauta bilionária aparece como quem não quer nadaDentro do mais absoluto respeito à legalidade, é impossível não notar o timing quase poético do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Bastaram duas horas – duas! – após Lula confirmar Jorge Messias para o STF para que o senador descobrisse, subitamente, que um projeto bilionário estava “prontíssimo” para ser votado. Coincidência? Só se for daquele tipo que dá até vontade de rir.
A matéria, que dormia tranquila na gaveta desde outubro, ganhou vida própria assim que o nome preferido de Alcolumbre, Rodrigo Pacheco, não foi o escolhido. De repente, parecia urgente pautar uma proposta estimada em até R$ 21 bilhões, segundo cálculos da CNM. Nada como um pouco de frustração para despertar o sentido de oportunidade legislativa, não é?
Alcolumbre publicou nota enaltecendo os Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias — profissionais fundamentais, é verdade — mas o entusiasmo repentino soa mais como alguém tentando mostrar quem manda quando é contrariado, do que como fruto de uma maturidade institucional exemplar.
Afinal, até ontem, o texto aguardava serenamente. Hoje, virou “prioridade do Parlamento brasileiro”. Curioso como algumas prioridades surgem exatamente quando um desejo pessoal não é atendido.
No mais, tudo dentro da lei, claro. Apenas com aquela pitada de ironia inevitável quando a política resolve lembrar ao país que, para alguns, contrariar não é apenas incômodo — é quase uma ofensa imperdoável.
Fonte: Revista40graus, colaboradores, Senado e redes sociais
