Centrão tenta dobrar o governo, mas Lula segue firme enquanto Alcolumbre dispara recados
Pressão por barganhas expõe disputas no Congresso e tentativa de transformar o Planalto em refém políticoO governo Lula e o centrão protagonizaram mais um capítulo da novela legislativa nesta quinta-feira (27), com parlamentares derrubando vetos presidenciais e Alcolumbre — sempre ele — tentando se firmar como o comandante de uma rebelião parlamentar. O episódio escancara a estratégia nada sutil de parte da cúpula do Congresso: pressionar o governo até que Brasília vire um balcão de recados, ameaças e retaliações.
O centrão, que adora posar de “árbitro institucional”, agora diz sentir “cansaço” com o governo — uma fadiga curiosa para quem não se cansa de exigir emendas e mais influência. E, claro, Alcolumbre reage à indicação de Jorge Messias ao STF como se o Senado fosse uma extensão de seu gabinete particular.
Apesar do clima de chantagem política, Lula mantém a posição de não transformar o país em refém de interesses paroquiais. O governo tenta avançar com uma agenda que envolve Orçamento, reforma tributária e pautas estruturais, enquanto parte do Legislativo mira 2026 e joga para plateias internas.
A derrubada dos vetos ambientais — logo após a COP30 — virou símbolo do descompromisso de muitos parlamentares com a própria imagem pública. O governo lamentou o retrocesso, e figuras como Guilherme Boulos foram diretas ao ponto: “a maioria do Congresso decidiu passar a boiada”.
Enquanto setores do centrão tentam criar dificuldades para vender facilidades, cresce no entorno do Planalto a percepção de que a insistência de Alcolumbre e aliados em tensionar a relação é arriscada. A sociedade, afinal, não costuma ver com bons olhos quem sabota políticas ambientais, distorce negociações e tenta transformar o Executivo em marionete.
Para completar, as ausências de Motta e Alcolumbre na sanção da isenção do Imposto de Renda deram o tom do desinteresse em dialogar — ao mesmo tempo em que suas lideranças seguem puxando o país para um jogo de força permanente.
Mesmo com novas sessões de vetos pela frente, o governo reforça que seguirá defendendo temas constitucionais e, se necessário, levará a disputa ao Judiciário. A estratégia do “quanto pior, melhor” pode render manchetes ao centrão, mas dificilmente renderá votos em 2026.
E no fim das contas, quem observa tudo isso é a população — que já percebe quem trabalha pelo país e quem trabalha por si mesmo.
Fonte: Revista40graus, mídias e colaboradores
