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Federação União Brasil-PP tenta sorrir enquanto tudo pega fogo

Entre prisões, investigações e diretórios em disputa, aliança vira um teste de resistência — e de paciência
Redação

Sete meses depois de anunciada como “superaliança” do centro-direita, a federação União Brasil-PP parece mais uma sitcom política: desfiliações em série, brigas nos estados e, para completar o enredo, a aproximação de seus líderes com figuras agora bem conhecidas das páginas policiais — Daniel Vorcaro e Ricardo Magro.

Foto: Rubens CavallariDaniel Vorcaro, do Banco Master
Daniel Vorcaro, do Banco Master

No enredo mais recente, o banqueiro Vorcaro foi preso, o Banco Master virou pó no dia seguinte, e a Receita Federal bateu à porta da antiga Refit, de Magro, para investigar um rombo bilionário aos cofres públicos. Tudo isso enquanto os presidentes partidários — Antonio Rueda (União) e Ciro Nogueira (PP) — tentam explicar que não, não sabiam de nada; e sim, apenas tinham relações institucionais; e claro, a política continua.

Foto: Renato Araújo - 29.abr.25/Divulgação Câmara dos DeputadosFederação foi lançada em abril com discurso de oposição ao governo e sem espaço para os ministros
Federação foi lançada em abril com discurso de oposição ao governo e sem espaço para os ministros

Nos bastidores, porém, congressistas já calculam o desgaste: afinal, fotos e proximidades costumam sobreviver muito mais que discursos em época eleitoral. A direita teme o efeito dominó, enquanto líderes das próprias siglas minimizam, dizendo que Vorcaro e Magro eram “pluralistas” nas relações e distribuíam contatos para todos os lados.

Outro problema: a federação não sabe, até hoje, quem manda em nove estados. A promessa era montar uma máquina eleitoral turbinada para 2026; a realidade é uma disputa interna para definir diretórios que mais parece eleição de condomínio. Rueda e Ciro terão de arbitrar — juntos e “consensualmente”, segundo o estatuto, o que já dá o tom da dificuldade.

O clima só piorou quando Ciro, dias após a prisão de Vorcaro, desistiu do sonho de ser vice numa chapa presidencial contra Lula e anunciou que seu foco agora é o Senado pelo Piauí. O discurso mudou, e muita gente percebeu.

Enquanto isso, figuras como Arthur Lira — que jurava que comandaria a federação — já sentiram o peso do banco vazio das promessas. Em Goiás, Ronaldo Caiado, que apoiou o projeto com a condição de ter espaço para voos nacionais, agora defende o rompimento.

A federação que nasceu mirando protagonismo em Brasília hoje luta contra investigações externas e rachaduras internas. E, como sempre na política, todo mundo garante que está tudo sob controle. Até que o próximo capítulo prove o contrário.

Fonte: Revista40graus, mídias e colaboradores

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