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Quando a intenção tropeça na execução

Ou como transformar o Dia da Consciência Negra em um tutorial involuntário de “o que não fazer”
Redação

A prefeita de Piripiri, Jôve Oliveira (PT), resolveu celebrar o Dia da Consciência Negra da forma mais… criativa possível: pintando o rosto de preto em pleno 2025 e publicando o resultado nas redes sociais. A internet, sempre tão gentil e paciente, reagiu exatamente como se esperaria quando alguém decide reinventar o blackface como se fosse uma grande sacada do dia. Minutos depois? Críticas. Horas depois? Vídeo apagado. Dias depois? Meme provavelmete pronto.

Foto: Reprodução'Errar é humano e eu reconheço', diz prefeita de Piripiri Jôve Oliveira que publicou vídeo com 'blackface' no Dia da Consciência Negra
'Errar é humano e eu reconheço', diz prefeita de Piripiri Jôve Oliveira que publicou vídeo com 'blackface' no Dia da Consciência Negra

No registro original, Jôve aparece removendo a tinta escura do rosto enquanto faz um discurso sobre igualdade racial — uma cena que parece saída de um manual ilustrado de “boas intenções, péssimas escolhas”. “A cor da pele não diz nada mesmo”, declarou ela, provavelmente segundos antes de descobrir o que é blackface e por que todo mundo estava dizendo “não pode isso, prefeita”.

Para quem faltou à aula de história: blackface é uma prática racista do século XIX, marcada por caricaturas ofensivas de pessoas negras. Em outras palavras, algo que não deveria ser reinventado num vídeo caseiro de Instagram.

Depois do estrago, veio o já tradicional “vídeo das desculpas”, publicado na sexta-feira (21). Jôve afirma que nunca ouviu falar de blackface — um detalhe que, digamos, surpreende menos do que deveria — e reforça que sua intenção era, na verdade, antirracista. A mensagem era sobre consciência, reflexão e evitar expressões racistas… só faltou evitar o gesto racista em si.

Ela pediu desculpas às comunidades negras, aos cidadãos de Piripiri e ao Brasil inteiro — que agora conhece bem mais a prefeita do que antes. Ironias à parte, fica a lição: alguns temas exigem estudo, sensibilidade e, principalmente, zero tinta preta na nécessaire.

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Fonte: Revista40graus, colaboradores, redes sociais e outros meios de comunicação

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