Governo Federal prepara pacote para reduzir impactos de tarifa de 25% dos EUA sobre exportações brasileiras
Medidas devem beneficiar mais de 2 mil empresas brasileiras afetadas pela sobretaxa imposta pelos norte-americanos.O Governo Federal anunciou um conjunto de medidas para minimizar os impactos da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. As ações incluem apoio financeiro às empresas afetadas, incentivo à abertura de novos mercados e fortalecimento das exportações.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, informou que está sendo estruturado um programa de apoio voltado aos setores mais atingidos pela medida. Entre as iniciativas em estudo estão a ampliação dos instrumentos do Plano Brasil Soberano, a oferta de linhas de crédito e o reforço das estratégias de promoção comercial.
Segundo Alckmin, instituições como a ApexBrasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) terão papel importante na diversificação dos destinos das exportações brasileiras. Ele também afirmou que o governo recorrerá, no momento considerado oportuno, aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, além de retomar a contestação da medida junto ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Entre os segmentos mais impactados pela nova tarifa estão os setores de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Para essas atividades, o governo avalia oferecer crédito para capital de giro e investimentos, além de apoio para redirecionar a comercialização dos produtos a novos mercados.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indicam que cerca de 2,4 mil empresas brasileiras serão diretamente afetadas pela medida. Juntas, elas representam aproximadamente 18% das exportações do Brasil destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões com base nos números de 2024. Apesar disso, 74% dessas empresas já mantêm operações comerciais com outros países.
No ano passado, os setores atingidos exportaram cerca de US$ 5,5 bilhões para o mercado norte-americano. O governo destaca ainda que 57% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, incluindo produtos como carnes, café, óleos e itens da indústria aeronáutica, permanecerão sem a incidência da nova tarifa. Outros 24% das vendas externas já estavam sujeitos a medidas tarifárias específicas, principalmente nos segmentos de aço, alumínio e automotivo.
As estatísticas também apontam redução da participação dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira. A fatia, que era de 12,1% até o ano passado, caiu para 9,4% em 2026.
Governo promete apoio aos setores afetados
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo possui instrumentos para apoiar as empresas e preservar empregos nos setores atingidos. De acordo com ele, representantes das atividades impactadas serão convocados para novas reuniões que servirão de base para a definição das medidas específicas.
Entre as alternativas em análise estão a ampliação do Plano Brasil Soberano, a disponibilização de linhas de crédito e outros mecanismos de apoio financeiro e produtivo. Durigan ressaltou que, embora alguns segmentos possam enfrentar dificuldades relevantes, a equipe econômica avalia que a medida não representa risco à estabilidade macroeconômica do país.
O ministro substituto do MDIC, Márcio Elias Rosa, reforçou que a orientação do Governo Federal é oferecer suporte aos setores mais afetados pelas novas tarifas, especialmente madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
