Petróleo salta a US$ 78 após ofensiva de EUA e Israel contra o Irã
Mercado reage ao risco no Estreito de Ormuz e analistas já falam em barril a US$ 100Os preços do petróleo registraram forte alta na primeira sessão após os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã. O barril do tipo Brent, referência global, chegou a subir 13% na abertura e era negociado perto de US$ 78,30 por volta das 21h30 no horário de Brasília, avanço de cerca de 8%. Trata se do maior nível desde janeiro de 2025.
A reação do mercado foi imediata. Contratos futuros de índices americanos como o S&P 500 e o Nasdaq 100 recuavam cerca de 1%, enquanto o ouro avançava 1,5%, refletindo a busca por proteção em meio à tensão geopolítica.
O principal foco dos investidores está no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo. Com riscos crescentes para a navegação, mais de 200 navios, entre petroleiros e embarcações de gás natural liquefeito, permaneceram ancorados nas imediações da região, segundo dados de monitoramento marítimo.
Analistas avaliam que, em caso de interrupção relevante no fluxo da commodity, o barril pode ultrapassar a marca de US$ 100. O banco Barclays elevou sua projeção para perto desse patamar, enquanto o Citigroup estima que o Brent deva oscilar entre US$ 80 e US$ 90 no cenário base desta semana.
A Opep+ anunciou aumento de 206 mil barris por dia na produção a partir de abril, volume equivalente a menos de 0,2% da oferta global. O ajuste, embora simbólico, tende a ter impacto limitado caso haja bloqueio logístico na região.
Empresas de transporte marítimo como CMA CGM e Hapag-Lloyd suspenderam a navegação pelo estreito, priorizando a segurança das embarcações. Seguradoras de risco de guerra também elevaram os prêmios, com reajustes que podem chegar a 50% nos próximos dias.
O Irã possui a quarta maior reserva provada de petróleo do mundo, mas sua produção representa menos de 3% da oferta global, segundo a Agência Internacional de Energia. Ainda assim, o temor central do mercado não está apenas no petróleo iraniano, mas na possibilidade de bloqueio da principal artéria energética do planeta.
Para países exportadores como o Brasil, e empresas como a Petrobras, o petróleo mais caro pode ampliar receitas externas. Em contrapartida, a alta da commodity tende a pressionar a inflação global, criando desafios adicionais para governos e bancos centrais.
O comportamento dos preços nos próximos dias dependerá da evolução do conflito e das condições de navegação no Golfo Pérsico. Por ora, o mercado faz o que sabe fazer em momentos de incerteza: recalcula riscos rapidamente e cobra o preço correspondente no barril.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
