Sem aumento de tarifa, mas com velhos problemas: Strans promete e população espera
Novo gestor reconhece crise, evita reajuste e levanta dúvidas sobre solução realO novo superintendente da Strans, Weldon Bandeira, assumiu o cargo reconhecendo aquilo que a população já sente há anos: o transporte público de Teresina enfrenta “sérios problemas”. A novidade, portanto, não está no diagnóstico amplamente conhecido, mas na tentativa de conduzir mais um capítulo de uma gestão que insiste em prometer reorganização sem enfrentar, de fato, as causas estruturais da crise.
Logo na largada, Weldon tratou de acalmar os ânimos ao afirmar que não há pauta sobre aumento da tarifa. A declaração, embora soe positiva à primeira vista, levanta um questionamento inevitável: trata-se de uma medida técnica ou apenas mais um gesto político para evitar desgaste? Afinal, manter a tarifa congelada em um sistema claramente deficitário não resolve o problema apenas o adia.
É preciso lembrar que o transporte público não se sustenta por retórica. Existe uma equação básica: custo operacional, investimento e retorno. Sem um mínimo de equilíbrio entre o que é financiado pelo poder público, pela iniciativa privada e pelos usuários, o resultado tende a ser o mesmo de sempre frota reduzida, serviço precário e perda contínua de passageiros.
Aliás, o próprio superintendente admite que o sistema perdeu demanda ao longo dos anos. Mas essa queda não aconteceu por acaso. Ela é consequência direta de um serviço que deixou de ser confiável, eficiente e competitivo. A população não “aprendeu” a usar outras alternativas por capricho foi empurrada para isso.
Outro ponto sensível é o chamado transporte eficiente, voltado a pessoas com mobilidade reduzida, cuja frota, segundo o gestor, está sucateada. A constatação reforça a sensação de abandono progressivo de um sistema que deveria ser prioridade, mas que há anos sobrevive de improvisos.
Weldon Bandeira retorna ao comando da Strans com o perfil conhecido: técnico experiente, mas também figura recorrente em diferentes gestões, sempre ocupando posições estratégicas. Isso, por si só, levanta outra reflexão pertinente até que ponto as soluções apresentadas serão realmente novas ou apenas a continuidade de um modelo que já demonstrou suas limitações?
Enquanto isso, a população segue no ponto de ônibus literalmente e figurativamente aguardando mais do que diagnósticos e promessas. O desafio não é reconhecer a crise. Isso já foi feito inúmeras vezes. O verdadeiro teste será apresentar soluções concretas, sustentáveis e, sobretudo, eficazes.
No fim das contas, fica a pergunta que ainda ecoa sem resposta clara: a quem interessa manter o sistema como está?
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
