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Europa aquece em ritmo recorde e enfrenta ondas de calor cada vez mais intensas

Cientistas apontam mudanças climáticas, derretimento do Ártico e alterações nos ventos como causas
Redação

A Europa continua registrando temperaturas recordes e se consolidando como o continente que mais aquece no planeta. De acordo com dados do serviço climático europeu Copernicus, as temperaturas médias na região aumentaram cerca de 0,56°C por década desde meados dos anos 1990, mais que o dobro da média global.

Foto: ReutersPedestre se refresca na fonte em frente à Catedral de Berlim, Alemanha, durante a onda de calor
Pedestre se refresca na fonte em frente à Catedral de Berlim, Alemanha, durante a onda de calor

Segundo os pesquisadores, o principal fator por trás desse cenário é o aumento das emissões de gases de efeito estufa provenientes das atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis. Esses gases intensificam o aquecimento global e tornam as ondas de calor mais frequentes, intensas e duradouras.

Além das mudanças climáticas globais, especialistas explicam que fatores regionais também aceleram o aquecimento da Europa. Um dos principais é o derretimento do gelo marinho no Ártico. Com menos gelo refletindo a luz solar, áreas maiores do oceano ficam expostas e passam a absorver mais calor, reforçando o aumento das temperaturas.

Outro fator é a redução da cobertura de neve durante o inverno. Em 2025, a área coberta por neve no continente ficou cerca de um terço abaixo da média histórica. Sem a neve para refletir a radiação solar, o solo absorve mais energia, elevando ainda mais as temperaturas, especialmente no norte e no leste europeu.

Os controles mais rigorosos sobre a poluição atmosférica também têm influência indireta. A redução da emissão de aerossóis — partículas que refletem parte da radiação solar de volta ao espaço — melhora a qualidade do ar, mas permite que uma quantidade maior de energia solar alcance a superfície terrestre.

Mudanças nos ventos prolongam o calor

Os cientistas também investigam alterações no comportamento da corrente de jato, um cinturão de ventos fortes que influencia o clima em grande parte do Hemisfério Norte.

Com o aquecimento do Ártico e a diminuição da diferença de temperatura entre a região polar e a linha do Equador, essa corrente de ventos vem apresentando mudanças em seu padrão de circulação. Em alguns períodos, ela se divide em dois ramos, formando áreas de alta pressão onde o ar quente permanece estacionado por vários dias ou até semanas.

Esse fenômeno favorece a ocorrência de ondas de calor prolongadas, aumentando os riscos para a saúde da população, a agricultura, os recursos hídricos e o sistema elétrico.

Um estudo publicado em 2022 apontou que grande parte do aumento recente na frequência e na intensidade das ondas de calor da Europa Ocidental está relacionada justamente à maior duração desses padrões atmosféricos.

Recordes são superados com maior frequência

Especialistas destacam que a quebra constante de recordes de temperatura já era esperada diante do avanço das mudanças climáticas. O que chama a atenção, porém, é a velocidade e a magnitude com que esses recordes vêm sendo superados.

A cientista climática Lizzie Kendon, da Universidade de Bristol, afirma que os novos extremos de temperatura não apenas confirmam o avanço do aquecimento global, como também demonstram que os eventos climáticos extremos estão se tornando cada vez mais severos.

Para os pesquisadores, a tendência é que episódios de calor intenso continuem se tornando mais comuns nas próximas décadas, reforçando a necessidade de medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e ampliar ações de adaptação às mudanças climáticas.

Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores

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