Agora querem transformar o FGTS em crediário para compra de armas
Projeto aprovado em comissão da Câmara desvia finalidade social do fundo do trabalhadorA Câmara dos Deputados conseguiu produzir mais uma daquelas propostas que fazem o trabalhador se perguntar se ainda existe algum limite para o absurdo. A Comissão de Segurança Pública aprovou um projeto que autoriza o saque do FGTS para compra de armas de fogo, munições e acessórios.
Isso mesmo: o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, criado para proteger o trabalhador em momentos de desemprego, dificuldade financeira, compra da casa própria ou situações emergenciais, agora poderá virar espécie de “vale-armamento” oficial.
O FGTS nasceu como uma reserva de segurança para quem perde o emprego formal e precisa reorganizar a própria vida. Serve para moradia, saúde, calamidade, aposentadoria e necessidades essenciais. Mas, aparentemente, há quem considere mais urgente transformar a poupança do trabalhador em financiamento para pistola, munição e acessórios.
A proposta, apresentada pelo deputado Marcos Pollon e apoiada pelo relator Paulo Bilynskyj, tenta vender a ideia como defesa da liberdade individual e da autodefesa. Na prática, abre precedente para desvirtuar completamente a finalidade social do FGTS.
Enquanto milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para acessar moradia digna, manter contas em dia ou sobreviver ao desemprego, a prioridade de parte do Congresso parece ser facilitar saque para compra de armamento. O trabalhador junta anos de contribuição pensando em segurança financeira; alguns parlamentares acham mais adequado trocar isso por segurança “na cintura”.
Se continuar nesse ritmo, daqui a pouco vão sugerir financiamento de munição em 60 vezes com desconto em folha e saldo do FGTS como entrada.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
