Marco Rubio tenta enquadrar o Brasil, mas ignora soberania e democracia latino-americana
Governo Trump amplia pressão comercial enquanto aliados bolsonaristas reforçam discurso entreguistaPor: Gustavo Henrique
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, resolveu mirar o Brasil em mais uma declaração carregada de tom ideológico e visão ultrapassada sobre a América Latina. Durante audiência no Senado americano, Rubio afirmou que o Brasil não estaria entre os países “amigáveis” aos interesses dos Estados Unidos no continente.
A fala ocorre justamente após o governo de Donald Trump endurecer o discurso contra o Brasil, anunciar a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas e propor um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros.
Curioso é que parte da atual cúpula americana parece ainda enxergar a América Latina como um quintal político onde Washington poderia simplesmente impor vontades, pressionar governos e determinar rumos econômicos conforme seus próprios interesses estratégicos.
Só esqueceram de combinar com a realidade do século XXI.
Hoje o mundo vive sob o multilateralismo, baseado em negociação, diálogo, soberania e respeito entre as nações. Países democráticos possuem instituições independentes, eleições legítimas e autonomia para tomar suas próprias decisões. Não cabe mais a lógica da imposição unilateral travestida de “defesa da democracia”.
E aí surge uma certa contradição: enquanto setores do governo americano se apresentam como guardiões da liberdade, tentam pressionar economicamente países soberanos sempre que os interesses políticos ou comerciais dos Estados Unidos não são plenamente atendidos.
Na prática, a retórica democrática parece funcionar para alguns aliados, mas não necessariamente para todos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu às declarações e classificou Marco Rubio como alguém hostil à América Latina. Lula também criticou a atuação de integrantes da família Bolsonaro, acusando-os de buscar apoio externo contra interesses nacionais.
Segundo o presidente brasileiro, determinados setores bolsonaristas passaram a agir como verdadeiros “serviçais” políticos de Washington, numa espécie de fascínio automático por tudo que vem dos Estados Unidos, mesmo quando isso ameaça empregos, exportações e a própria economia brasileira.
Enquanto isso, os EUA seguem usando tarifas, pressão diplomática e sanções econômicas como peças de um grande tabuleiro geopolítico, principalmente contra países considerados frágeis ou politicamente desalinhados.
O problema é que o Brasil não é uma república subordinada.
É uma das maiores economias do planeta, possui instituições consolidadas, relações internacionais diversificadas e protagonismo regional. E, gostem ou não alguns setores do trumpismo, decisões nacionais devem continuar sendo tomadas pelos brasileiros e não por pressões externas embaladas em discursos de conveniência.
No fim das contas, fica a impressão de que alguns líderes americanos ainda acreditam que podem mandar no continente apenas elevando o tom das ameaças comerciais e políticas. Mas o mundo mudou. E a América Latina também.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
