PF rejeita delação de Vorcaro e vê tentativa de acordo sem fatos novos
Investigadores avaliam proposta como fraca enquanto cerco da Operação Compliance Zero avançaA Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo ex banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como principal alvo da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos.
Segundo investigadores, as informações apresentadas por Vorcaro foram consideradas insuficientes e sem relevância prática para justificar um acordo de colaboração. Na avaliação da PF, o ex banqueiro basicamente tentou “entregar” fatos que os investigadores já conheciam, sem acrescentar elementos realmente novos ou decisivos para o avanço das apurações.
Nos bastidores da investigação, o entendimento é de que a tentativa de acordo acabou se transformando mais em um exercício de autopreservação do que propriamente em colaboração efetiva com a Justiça.
Além disso, investigadores apontam que Vorcaro não teria demonstrado os requisitos mínimos de boa fé exigidos em acordos de delação premiada. Um dos pontos que mais geraram resistência foi o fato de ele não admitir integralmente práticas ilícitas que, segundo a PF, já aparecem em mensagens e conteúdos extraídos de aparelhos celulares apreendidos durante as operações.
Em outras palavras: enquanto a investigação avança com documentos, mensagens, movimentações financeiras e novos alvos, a delação apresentada acabou sendo vista como tímida demais para alguém apontado como líder de um esquema que pode ter causado prejuízos superiores a R$ 57 bilhões.
A proposta também desagradou por outro motivo: Vorcaro sugeriu devolver cerca de R$ 40 bilhões em até dez anos. A Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal entendem que o valor deveria ser maior e o prazo muito menor, especialmente diante da dimensão do rombo investigado no Banco Master.
Atualmente preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, Vorcaro ainda tenta costurar um possível acordo diretamente com a PGR, deixando a PF de lado. Porém, integrantes da investigação consideram difícil que a proposta avance sem fatos novos relevantes.
Enquanto isso, a Operação Compliance Zero continua produzindo desdobramentos. Nas últimas fases, a PF cumpriu mandados contra empresários, operadores financeiros e até figuras do meio político, incluindo endereços ligados ao senador Ciro Nogueira, citado nas investigações sobre supostos repasses mensais e pagamentos de despesas pessoais.
A investigação também atingiu familiares de Vorcaro. O pai do ex banqueiro, Henrique Vorcaro, foi preso sob suspeita de integrar um grupo apontado pela PF como responsável por intimidações, invasões de dispositivos eletrônicos e obtenção ilegal de informações sigilosas.
O caso segue sob relatoria do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal, enquanto a Polícia Federal mantém novas fases da operação em andamento.
Nos bastidores, cresce a percepção de que, diante do volume de provas já reunidas, não basta mais apenas tentar “explicar o inexplicável”. Investigadores querem documentos, rastros financeiros, confirmações concretas e admissão clara das irregularidades apontadas ao longo das apurações.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
