Justiça avança no caso Tatiana enquanto defesas pedem liberdade e MP mantém freio puxado
Entre pedidos de soltura, acusações cruzadas e cestas extraviadas, Justiça Eleitoral segue firme no rito legalA audiência de instrução do caso envolvendo a vereadora Tatiana Medeiros terminou, e — como era previsível — cada lado enxergou exatamente o que queria ver. A defesa correu para pedir sua soltura e a reabertura da ONG fechada na investigação; o Ministério Público, por sua vez, manteve o “não” bem amarrado, lembrando que a lei não funciona por simpatia, mas por indícios.
Tatiana cumpre prisão domiciliar desde maio, acusada de integrar facção criminosa, compra de votos, lavagem de dinheiro e outros itens nada triviais. A defesa afirma que tudo é exagero, narrativa ou coincidência geográfica. Segundo eles, não há provas de compra de votos, nem de relação com facção — apenas um namoro inconveniente com Alandilson Cardoso, investigado por suposta ligação com o Bonde dos 40 e apontado como financiador de campanha.
Já o Ministério Público assegura que os elementos do processo justificam as cautelares. Para os promotores, há sinais de uso eleitoral da ONG da vereadora — e, portanto, nada de reabertura antes da sentença. Sobre as 900 cestas básicas que teriam estragado, MP e defesa trocam versões como quem troca culpas, cada um atribuindo o prejuízo ao outro.
Ao fim de cinco dias de oitivas, cerca de 70 pessoas foram ouvidas sob o olhar atento da Justiça Eleitoral — que, apesar da ironia do enredo, segue cumprindo seu papel: permitir fala, garantir contraditório, ouvir acusações, ouvir defesas e registrar tudo sem perder a compostura.
Agora, MP e defesas têm cinco dias para pedir diligências. Depois virão as alegações finais e, só em 2026, a sentença. Se condenada, Tatiana perde direitos políticos e troca a tornozeleira por cela.
Entre versões antagônicas, acusações recíprocas, alegações de santidade e metáforas bíblicas (“colocado como Cristo”, disse a defesa de Alandilson), resta um único ponto inabalável: quem decide é a Justiça — e ela costuma apreciar o silêncio dos fatos mais do que o barulho das narrativas.
Fonte: Revista40graus, Justiça Eleitoral, MP, Defesas e colaboradores
