Crise no caso Master derruba marqueteiro e amplia desgaste de Flávio Bolsonaro
Após negar ligações com Vorcaro, senador tenta conter danos em meio a desconfiança e contradiçõesA pré campanha do senador Flávio Bolsonaro sofreu mais um abalo após o escândalo envolvendo o ex banqueiro Daniel Vorcaro. Nesta quarta feira (20), o publicitário Marcello Lopes deixou oficialmente o comando da comunicação do parlamentar, numa tentativa de reorganizar uma campanha que já enfrenta desgaste político, desconfiança interna e uma sequência de explicações pouco convincentes.
Amigo pessoal de Flávio e ex policial, Marcello Lopes vinha sendo pressionado nos bastidores antes mesmo da crise ganhar dimensão nacional. O problema é que, enquanto o senador tentava minimizar a relação com Vorcaro, começaram a surgir conversas, áudios, encontros e revelações que desmontaram a narrativa inicial de distanciamento.
Primeiro, Flávio negou vínculos mais profundos com o empresário ligado ao caso Banco Master. Depois vieram os pedidos milionários de recursos para financiar o filme “Dark Horse”, seguido da confirmação de encontros pessoais, inclusive após a primeira prisão de Vorcaro. Contra fatos, áudios e mensagens, ficou difícil sustentar a tese de que tudo não passava de uma simples relação protocolar.
Nos bastidores do próprio PL, o episódio provocou irritação. Auxiliares reclamaram de demora nas respostas, omissões, falta de transparência e uma sucessão de versões que mais confundiram do que esclareceram. O que era para ser controle de crise virou um verdadeiro labirinto político e comunicacional.
A saída do marqueteiro é vista por aliados como uma tentativa de “remediar o irremediável”. Afinal, o desgaste deixou de ser apenas eleitoral e passou a atingir diretamente a credibilidade do senador junto a setores do mercado, parlamentares e até integrantes do próprio grupo político.
A situação se agravou ainda mais porque o nome de Marcello Lopes também apareceu relacionado ao esquema de comunicação contratado por Vorcaro para ataques ao Banco Central nas redes sociais em 2025. Segundo reportagens, o publicitário teria recebido cerca de R$ 650 mil no período, embora negue participação direta no caso.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro tenta conter o incêndio político realizando reuniões com parlamentares do PL, empresários e agentes do mercado financeiro. Internamente, pesquisas encomendadas pela própria pré campanha já indicariam impacto negativo na imagem do senador, principalmente pela percepção de falta de clareza sobre a origem, o caminho e a utilização dos recursos ligados ao filme.
A cada nova revelação, cresce a sensação de que a estratégia passou a ser admitir os fatos apenas quando eles estão prestes a vir à tona pela imprensa. E, no meio desse turbilhão, a pré candidatura presidencial do senador segue tentando sobreviver entre explicações tardias, desgaste acumulado e um escândalo que parece longe de chegar ao fim.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
