Ponte “antiderrapante” vira caso de perícia após tragédia na Metálica
CREA e peritos investigam se solução da Transnordestina ajudou a escorregar — de novoO Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Piauí (Crea/PI) e a Perícia Criminal do Maranhão estão analisando a tinta aplicada no piso da Ponte Metálica, administrada pela Ferrovia Transnordestina Logística (FTL), após o acidente que resultou na morte da estudante universitária Micaela Carolina Rodrigues de Sousa, de 23 anos.
A jovem seguia para uma entrevista de emprego em Timon (MA) quando a motocicleta em que estava como passageira escorregou na pista da ponte, por volta das 14h. Ela caiu, bateu a cabeça em uma pilastra e morreu no local, mesmo usando capacete. O mototaxista relatou ao perito que perdeu o controle do veículo após escorregar e foi encaminhado ao hospital pelo Samu com ferimentos.
Segundo o perito maranhense Amerson Santiago, o Departamento de Perícia irá apurar as causas do acidente e verificar se a tinta aplicada no piso da ponte contribuiu para a queda. A medida, em tese, serviria para aumentar a aderência, mas na prática virou motivo de desconfiança — especialmente entre motociclistas que passam diariamente pelo local.
Relatos apontam que, sempre que chove, a ponte se transforma em pista de patinação improvisada, com quedas e acidentes frequentes. Um “detalhe” que parece ter passado despercebido pela concessionária responsável.
O presidente do Crea/PI, Hércules Medeiros, esteve na ponte na manhã desta quarta-feira
e informou que o Conselho irá solicitar oficialmente à FTL a realização de ensaios técnicos para avaliar se a tinta aplicada atende às normas de segurança.
“A tinta, em tese, não é negativa, ela é para aumentar a aderência. Agora, precisamos verificar, com base em testes, se realmente cumpre o que promete”, afirmou — em outras palavras, se o que era para segurar não está ajudando a escorregar.
A Comissão de Pontes do Crea acompanhará o caso de perto. A Ferrovia Transnordestina Logística foi procurada, mas até o momento não se manifestou. O espaço segue aberto, caso a administradora da ponte resolva explicar por que uma solução de segurança acabou
virando alvo de perícia.
Fonte: Revista40graus, SSP-MA e colaboradores
